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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

'Tragam-me então a cocaína s.f.f.'

Ela leu algures que o fim de uma relação provocava sintomas fisicos parecidos com a abstinência de um viciado em cocaína. Parece que as zonas do cérebro afectadas são as mesmas e reagem de forma semelhante... E Ela chega à conclusão que o amor é um vicio... ou será uma droga?
É tristeza, falta de apetite, choro compulsivo, querer esquecer e não conseguir, fadiga, pesadelos, insónias, astenia alternada com agitação, isolamento quando se termina uma relação com alguém de quem se gosta, de quem se ama?
Primeiro há um crash (com a cocaína dura entre 9h a 4 dias), um estado de depressão, insónia, irritabilidade, ansiedade, falta de apetite, e um desejo de voltar atrás. Imaginam-se 'filmes' e hipóteses e possibilidades...Quem sabe se não serão apenas ideias paranóides.
Vem depois a abstinência... uma a dez semanas dizem os especialistas em cocaína. E os sintomas são parecidos... Perda da capacidade de ter prazer, mudanças de humor...
Finalmente a extinção... E os especialistas ainda não determinaram o tempo desta fase... É a tão desejada recuperação do estado afectivo.... Os estímulos condicionados pelo consumo desta droga  podem desencadear um estado de necessidade, de busca... E pode acontecer a recaída.
E Ela sabe que não quer uma recaída...Não quer mais ir pela busca do amor...

'Tragam-me então a cocaína s.f.f.'

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Tocaste o céu?

- 'Foi desta que tocaste o céu?', perguntou-lhe ironicamente olhando para a figura dela caída numas quaisquer escadas.
- 'Ainda não cheguei lá', respondeu Ela a esforço numa voz sumida...
- 'Não sei porque fazes isto a ti própria. Onde estás?'
- 'Não sei, mas ainda não toquei o céu', disse Ela com as lágrimas a cair dos olhos baços.
Desde sempre que Ela dizia que um dia tocaria o céu. Quando era pequena e lhe davam um balão, não raras vezes o deixava fugir no meio de brincadeiras. Invejava-o. Sem saudades de quem tinha partilhado bons momentos, subia, subia, subia. Subia alto num céu que Ela queria tocar.
- 'Um banho frio vai fazer-te bem' e nisto abriu a torneira de água fria de uma banheira imensa, 'acorda, ouve só o que te digo, acorda'.
Não respondeu. Após alimentar a alma com o ópio que a viciava, pensava que chegaria ao céu. Pelo menos não sentia dores. Não sentia. Apenas não sentia.
Entrou na banheira e pediu para ficar só. Deixou-a só mas com a porta aberta 'daqui a pouco venho ver como estás.'
Como estava? Estava num estado de apatia mas ainda sentia os membros descoordenados, os sentimentos desordenados e os pensamentos confusos. Sentia que a vida não a queria, ou será que era Ela que não queria vida.
A água estava realmente gelada. Depois da sensação inicial de desconforto, deixou-se escorregar até ficar submersa. Não respirava, não pensava.
Dois minutos foi veio vê-la. Preocupada com o seu estado de embriaguez do mundo, tinha medo do que poderia fazer inconscientemente. Quando a olhou entrou em pânico. Tirou-a da banheira. Não respirava. Sabia de primeiros socorros e iniciou o suporte básico de vida. Ela recuperou os sentidos. Olharam-se e Ela chorou.
Ouviu-se o barulho de sirenes. Homens fardados colocavam-na numa maca. Ao entrar para a ambulância apenas sussurou 'Toquei o céu'.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Hold on

Ela fugiu do mundo que conhecia. Queria uma nova vida, um novo alguém.
Encontrou-se com a pessoa de sempre.
Despiram-se percorreram-se entraram em êxtase enquanto uma música tocava.
'Fica mais um pouco. Fica comigo' - disse Ele.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Recordações

Quando as recordações entram de rompante há uma lágrima que rola pelo rosto dela. São coisas que estão recalcadas, pelas quais Ela não quer passar nem em pensamentos.
A vida segue o seu curso normal ou...dito normal. A vida segue e Ela segue com a vida.
Pega nas chaves e sai, não sabe as horas, apenas tem aquelas recordações que de repente lhe surgem sem a avisar. Vagueia. Senta-se no meio do nada. Chora até ficar vazia. Adormece.
É noite e está frio. Desorientada tenta voltar a casa. Encontra o caminho sem se perder.
Cabeça vazia. Deita-se e volta a adormecer.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O mundo

E é na dormência causada pelo álcool que Ela percebe que a vida não faz sentido tal e qual como está.
Ela gostava de mudar a vida mas dá imenso trabalho e deixa-se ficar embriagada pela rotina do dia-a-dia.
Uma vez Ela sonhou em mudar o mundo... Percebeu que estava sozinha na multidão. Pior que isso, percebeu que Ela para além de mudar teria de mudar-se e se mudar.
A embriagez que o álcool lhe tráz não se compara à dormência que a vida lhe causa.
Por dentro ela grita como que para alertar o seu próprio mundo que ainda está viva.
Por fora parece que a apatia tomou conta dela.
O álcool deixa-a chorar. As lágrimas correm-lhe pela face como se nunca tivesse chorado na vida. Sente-se impotente sem, na verdade, nunca ter tentado.
Desistiu antes de começar.
Uma vez Ela sonhou em mudar o mundo.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

O abismo

Ela queria voar...Abriu os braços e saltou. Pensava Ela que ia voar no meio das nuvens e acabou por se atirar ao abismo.

A vantagem é que Ela descobriu que o abismo é muito fundo e Ela pode até nem chegar lá.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Felizes para sempre

Ela vive num conto de fadas. Foge da realidade. Não quer saber que ao lado dela há quem sofra.
Um conto de fadas.
Na vida real não existe 'Felizes para sempre'.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Luxúria

Ela não se controla no pecado da carne. Deixa-se dominar pelo que chama de paixão. Ela é mulher de muitas paixões e paixões diferentes e paixões da carne.
Não se vende mas satisfaz-se. Ela não sabe ser senão sensual. Ela persegue o desejo de paixão como persegue a vida. Vida de pecado que pode levar a outros pecados. Que perdição! Perdida está já a sua alma nesse que é um dos sete pecados mortais sem qualquer remissão.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Suspiro

Ela suspira. Tem saudades de estar apaixonada.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O amor morreu

Ela descobriu que não sabe o que é o amor...
As pessoas falam tanto dele mas Ela não sabe o que é...
Ela conhece a luta dos corpos em busca de prazer...do prazer pelo prazer...
Mas Ela não sabe o que é o amor...já ouviu falar dele...
Ou talvez se tenha desacreditado.
Ouviu uma música... 'O nosso amor morreu quem o matou fui eu.'
Talvez Ela tenha morto o amor também. Para não o voltar a sentir outra e outra vez...
Talvez Ela tenha morto o Amor.

sábado, 22 de agosto de 2009

A descoberta

Ao longo do tempo o corpo sofre as mais diversas mudanças. Ela nunca encarou de ânimo leve todas essas mudanças. De um corpo de menina a passar para um corpo de mulher, que durante a adolescência é visto como um objecto sexual. Ela nunca encarou esta realidade. Não queria vestir todas as roupas que as colegas da sua idade vestiam...aquelas roupas justas e insinuantes apenas para que o corpo fosse visto ainda mais como um objecto sexual. A partir de certa altura, Ela era vista como diferente. Solitária e de roupas alternativas e de padrões estranhos como se se quisesse camuflar naquela sociedade em que não se inseria. Ela gostava de química. As aulas de química em laboratório eram as suas favoritas. Gostava de misturar os ingredientes como se de culinária se tratasse, como se todas a reacções que ela provoca tivessem um resultado palpável. Numa dessas aulas pegou num bisturi e, de forma despropositada, fez um corte na mão. Um corte com cerca de 4 cm de comprimento na palma da mão, superficial, mas que dele brotavam gotas de sangue. Ela não sentiu dor. Sentiu apenas aquele liquido vermelho deslizar para o pulso. Alguém ao seu lado gritou. Ela descobriu que não doía. Ela descobriu que a dor física não supera a dor emocional, mas pode ajudar aliviá-la. A professora de química encaminhou-a á enfermaria da escola para que lhe fosse feito um penso compressivo. Ela ficou dispensada da aula. Ficou fechada nos seus pensamentos e na sua apatia.