quinta-feira, 30 de julho de 2009

A infância

O tempo, que não pára, passa por ele e por ela. São personagens vivas no tempo, em tempos diferentes que num instante se cruzam.
Nem ele nem ela sabem que se irão cruzar.
São bebés a aprender a viver e a sobreviver, são crianças que brincam as suas brincadeiras de criança. Jogam jogos de construção e estratégia e lógica que mais tarde vão tentar aplicar numa vida complicada porque a complicamos. Em tempos diferentes, com brincadeiras diferentes mas com o mesmo objectivo , ele e ela brincam, longínquos da sua consciência, nem tendo a consciência de que as suas vidas um dia se irão cruzar. Ele e ela são felizes na sua infância.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Os pais deles

Também os pais dele e dela tiveram um choro ensurdecedor de vida. Também os pais dele e dela já choraram muito pela vida fora. E é certo que os pais dele e dela ainda vão derramar lágrimas.
A mãe e o pai dele conheceram-se ainda crianças. Eram crianças crescidas, que depois da escola eram crianças pastores. Levavam o rebanho até ao monte. Por lá se encontravam. Perdiam-se em brincadeiras inocentes e às vezes perdiam os animais. Na hora de voltar a casa, depois de terem roubado fruta e fugido dos donos dessa fruta, contavam as cabeças de gado. Tinha que estar tudo certinho quando chegassem a casa porque os pais iam confirmar e se faltasse algum animal o castigo era certo. Com castigos e sorrisos e lágrimas e amores e desamores, os pais dele enamoram-se. Mais tarde casaram.
Os pais dela conheceram-se na escola. Foram colegas de escola. Ela, tímida sempre com as amigas. Ele era o popular, sempre rodeado de rapazes e suspiros de outras meninas. Eles raramente falavam. Os corações deles batiam mais rápido cada vez que o seu olhar se cruzava. Ela corava, ele não falava. Aos poucos foram perdendo a timidez e começaram a falar. Ele acompanhava-a até casa depois da escola. Falavam. Ele pediu a benção ao pai dela e um dia acabaram por casar. Os pais dele e dela têm um passado. São todos diferentes com diferentes personalidades construídas nesse passado diferente.

domingo, 26 de julho de 2009

O ínicio

Tudo tem um começo, um ínicio. Ele e ela também tiveram um ínicio. Ambos estão em tempos desfazados do próprio tempo. Têm ínicios diferentes. Nasceram em datas diferentes. E no nascimento de cada um deles a vida não se questionou se eles se chegariam a cruzar. No princípio tudo parece simples. A criança acabada de nascer chora para dizer que está viva. Ele e ela choraram quando nasceram. E os pais de ambos estavam felizes porque aquele choro significava que tinham chegado ao mundo cheios de vida. Um choro ensurdecedor de vida.