sábado, 13 de fevereiro de 2010

Noite Fria

Eles cruzam-se em ruas desmedidas.
Noite fria mas corpos quentes.
Ele, solitário, está rodeado de desconhecidos. Ouve as conversas dos desconhecidos. Pensa nas conversas dos desconhecidos. Conversa de si para si sobre si. O êxtase dos sentidos confunde-lhe as palavras. Não consegue manter a conversa, que é apenas sua, de forma coerente. Como se os pensamentos se desfragmentassem e conseguisse pensar em tudo e em nada ao mesmo tempo. Ele fecha os olhos e eleva a cabeça ao céu, começa a sentir o frio na face.
Ela quer esquecer o mundo em que vive. Está com um grupo de amigos, que foram desconhecidos outrora. Agora são apenas parte dela. Na saciedade da sede que lhe provoca tonturas sorri desmesuradamente. Sorri e esquece o mundo em que vive. Vive o agora. Porque no agora não há mais do que aquele sorriso partilhado com pedaços dela mesma. A sede saciada. A tontura presente. Ela fecha os olhos e eleva a cabeça ao céu, começa a sentir o frio na face.
Os dois de costas voltadas, sentem o frio na face.
A noite está fria, os corpos quentes.
Eles não sabem mas estão juntos em ruas desmedidas.

1 comentário:

[ R S ] disse...

pois é... por isso é que eu também não fumo... um beijo também pra ti :)